SIR SEAN CONNERY (1930-2020)

Não penso ser possível fazer justiça a Sean Connery num par de parágrafos – por isso nem o vou tentar.

Considero a mais eloquente prova do talento de Sean Connery o facto de, apesar de ter sido o primeiro (e para muitos, incluindo este escriba, o melhor) James Bond, ter conseguido que isso fosse apenas uma das alíneas de um invejável currículo. Filmou com grandes realizadores como Sidney Lumet, Brian de Palma, Hitchcock e Spielberg. Representou um personagem de Umberto Eco. Participou em clássicos como Um Crime no Expresso do Oriente; épicos como A Bridge Too Far; bizarrias como Zardoz; pequenas preciosidades como Robin and Marian; falhanços como The Avengers e atrocidades como The League of Extraordinary Gentlemen. No fim disto tudo, recordo muitos grandes filmes, vários maus filmes que ele não conseguiu salvar – mas nenhum que tenha sido mau por causa dele. E possuía a saudável auto-estima para, depois de ter sido este:

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(imagem promocional de Goldfinger)

fazer um filme nesta toilette:

zardoz-2.jpg(Zardoz)

Semiótica

Qual é o objectivo de um dicionário? Simplesmente descrever o significado de uma palavra com correcção e economia científicas? Ou fazê-lo também com a intenção de acessibilidade a um consulente menos esclarecido – e não o deixar mais confuso com a definição do que com a palavra original?

Imaginemos que o sr. Santos, cantoneiro na Câmara Municipal de Lisboa e seguidor fiel das emissões do Governo Sombra, pretende saber o significado de uma palavra amiudadamente dita pelos comentadores: “semiótica”. Chega a casa, liga o portátil, consulta o Dicionário Online da Priberam e depara-se com esta talhada de prosa tão exacta quanto hermética:

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Classe

– Tem cuidado com Liana Taillefer.

– Porquê? – La Ponte olhava-se ao espelho do bar. Arvorou uma expressão lúbrica. – Desde que comecei a levar os folhetins ao marido que essa gaja me agrada. Tem muita classe.

– Tem – concordou Corso. – Muita classe média.

Arturo Pérez-Reverte, O Clube Dumas