MOV

O canal MOV chega hoje ao fim. Tenho pena. Eu gostava bastante deste canal. O MOV tinha tudo. Podíamos ver um clássico como Dune seguido da magnificamente péssima saga Leprechaun; tanto transmitia o inquietante e injustamente desconhecido Take Shelter, como o jean-claude-van-dammiano Universal Soldier Regeneration. Os responsáveis pela programação do canal pareciam partilhar comigo o amor ao cinema/televisão como meio de criação artística no seu grau mais elevado – mas também como fonte de uma hora ou duas durante as quais pudesse abafar o ruído das memórias num entretenimento acéfalo e manhoso (com tudo o que de bom a palavra “manhoso” tem).

Hoje é, portanto, o último dia. Para encher as últimas horas de emissão, estão a retransmitir a inócua série Taxi Brooklyn protagonizada pela (nada inócua) Chyler Leigh. Eu bem digo: o MOV conhecia-me de ginjeira…

Sinais da Primavera

O sol a entrar pela janela antes das sete da manhã.

O sol a entrar pela janela depois das sete da tarde.

Escolher um banco à sombra no jardim.

A algazarra dos pássaros na mata defronte da minha casa.

O voo das andorinhas por entre os prédios do bairro.

A comichão no nariz causada pelo pólen.

As pessoas coradas e suadas que, todos os anos, se recordam com os primeiros calores de que o Verão está aí à porta e tentam freneticamente, em corridas desajeitadas e arquejantes, derreter os quilos acumulados durante a inércia dos restantes meses.