Abafada pelo burburinho noticioso, passou-me despercebida a morte, na segunda-feira, de Jean-Paul Belmondo, um ícone cool francês. Foi pugilista amador; quis ser palhaço; viveu com Ursula Andress (que nunca o esqueceu); foi um dos rostos da Nouvelle Vague; representou para vários dos grandes realizadores do cinema europeu; e mostrou-se tão confortável nos palcos de teatro como aos saltos e piruetas num carro.
Viveu uma vida bem vivida.

Um dos últimos da velha guarda.
Devia ter aí uns 15 anos quando vi “Le Professionel”, mas vi tantos filmes com ele que lhes perdi a conta. Aquelas perseguições com os ‘cascadeurs’ sempre a destruir lata eram um ‘must’.
Há dias, a propósito do trailer do seu último filme, lembrei-me de que o Clint Eastwood já tem mais de noventa anos. E o Jean-Michel Jarre (só para dizer um outro nome das várias “velhas guardas”) já tem 73! Estes números assustam – pois o que é que também dirão sobre mim?
A “escola francesa” de duplos não tem nada a temer na comparação com a de Hollywood. No que diz respeito às cenas com automóveis, eu penso que talvez seja superior. Há uma “estética” europeia distinguível da americana: a perseguição do primeiro Bourne, ou as várias de Ronin, são indiscutivelmente francesas (os franceses adoram escadas e peões a fugirem de aflição). E mesmo em filmes quase esquecidos, como o Le Casse, temos preciosidades como esta (deve ter sido das poucas em que Belmondo não participou – incompatibilidades de agenda).
Como se costuma dizer, “ninguém vai para novo”, o que é uma grande chatice, diga-se de passagem.
Quanto à “escola francesa” de duplos é como diz sem tirar nem pôr. Bourne e Ronin são, curiosamente, também para mim os dois melhores exemplos disso mesmo.
Grande perseguição, essa do “Le Casse”. Penso que nunca vi esse filme.
Grande Belmondo .Muito muito bom !