Um Livro de Areia

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Há semanas, um alfarrabista juntou ao seu catálogo este livro: 307 páginas, lê-se na descrição técnica. Pouco mais de trezentas páginas, pelos vistos, bastaram para Hans Hass escrever um tratado científico sobre os mistérios do comportamento do homem. Já se ele tentasse o mesmo para a mulher, “Mulher: os mistérios do seu comportamento”, só o conseguiria com uma espécie de livro de areia borgesiano: um enigma com páginas infinitas, onde nenhuma é a primeira e nenhuma é a última, e nunca se consegue encontrar duas vezes a mesma página.

5 comentários em “Um Livro de Areia”

  1. Ó pra mim toda inchada, com a opinião formulada pelo João acerca da dificuldade de um homem conseguir sintetizar os mistérios insondáveis da Mulher!!
    Livro de areia? Pois! A mulher é um ser irrepetível, única, não há duas iguais, nem por dentro nem por fora. As várias faces de Eva, jamais serão reveladas…

    Já o homem, quaisquer 300 páginas, sendo que mais de metade são divagações, resumem-no com toda a sua (in)fidelidade.

    1. É muito curiosa a reacção feminina, prontamente optimista, a este meu pequeno texto. Mais surpreendente ainda quando se trata de quem me lê já com alguma regularidade e devia, no mínimo, suspeitar de haver aqui algures água no bico…

      Mas agora (um pouco) mais a sério, até concordo em parte consigo. A mulher é, de facto, um ser irrepetível – pois não se repete: é como jogar futebol num campo onde as balizas estão em constante movimento. E não haver duas iguais? Eu diria que, muitas vezes, nem há uma igual (a si própria). 🙂

      1. Prontamente optimista? Com certeza!
        Comparar a Mulher com o livro de contos de Jorge Luís Borges, ao qual chamou «Livro de Areia», talvez porque nem uma coisa nem outra têm fim – o dito cujo livro e a areia – não foi uma provocação do autor do blog? Agora sim, fiquei confusa… 🙁
        🙂

        1. Às vezes, eu também fico confuso. É como o Adolfo Luxúria Canibal que, segundo um antigo colega meu de faculdade, certo dia estava a dar uma entrevista na rádio e falou, falou, falou durante quinze ou vinte minutos sem parar até que fez uma pausa e perguntou ao entrevistador: “Eh pá, qual é que era mesmo a pergunta? Acho que já me perdi…”

          1. Isso é típico nas pessoas de muito saber…falam, falam… falam tanto, que umas acabam por perder-se do próprio raciocínio, outras, como dizia o RAP parodiando um fulano execrável ex-big brother com a mania de saber tudo, só falam e não se vêem a fazer nada…

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