Qual é o objectivo de um dicionário? Simplesmente descrever o significado de uma palavra com correcção e economia científicas? Ou fazê-lo também com a intenção de acessibilidade a um consulente menos esclarecido – e não o deixar mais confuso com a definição do que com a palavra original?
Imaginemos que o sr. Santos, cantoneiro na Câmara Municipal de Lisboa e seguidor fiel das emissões do Governo Sombra, pretende saber o significado de uma palavra amiudadamente dita pelos comentadores: “semiótica”. Chega a casa, liga o portátil, consulta o Dicionário Online da Priberam e depara-se com esta talhada de prosa tão exacta quanto hermética:

Fui consultar o meu velhinho dicinário da Língua portuguesa numa edição bem antiga da Porto Editora, e reza assim:
Semiótica: s.f. arte de fazer manobrar as tropas por meio de sinais; o m. q. semiologia.
Parece que o GS não anda lá muito tolo…..
Movido pela curiosidade, fui consultar o meu Houaiss. Essa definição é a quarta. A segunda é esta magnifica talhada de prosa:
(…) para Charles S. Pierce (1839-1914), teoria geral das representações, que leva em conta os signos sob todas as formas e manifestações que assumem (linguísticas ou não), enfatizando especialmente a propriedade de convertibilidade recíproca entre os sistemas significantes que integram.
Agora é que o sr. Santos ficou mesmo esclarecido.
Pobre Sr. Santos!!
Estudei semiótica na faculdade e, mesmo assim, não conseguiria ajudar o Sr. Santos…
É uma tarefa que eu não invejaria pois, às tantas, seria ainda necessário falar-lhe das diferenças entre a metassemiótica, a biossemiótica, a etnossemiótica…