O doutor Heraclius Gloss era um homem muito sábio. Ainda que nas livrarias da cidade nunca tivesse aparecido o mais pequeno opúsculo assinado por ele, todos os habitantes da douta cidade de Balançon olhavam o doutor Heraclius como sendo um homem muito sábio.
Como e em quê era doutor? Ninguém o poderia dizer. Sabia-se apenas que os seus concidadãos tinham chamado doutores ao seu pai e avô. Herdara-lhes o título ao mesmo tempo que o nome e os bens; na sua família era-se doutor de pai para filho, tal como de pai para filho se chamavam Heraclius Gloss.
(Guy de Maupassant, “O Doutor Heraclius Gloss”)