Começa-me a parecer que se confunde uniformização de oportunidades com uniformização de género. A intensidade na militância tem sempre o risco acrescido de se desvirtuar a própria mensagem.
um blogue pessoal de João Sousa
Começa-me a parecer que se confunde uniformização de oportunidades com uniformização de género. A intensidade na militância tem sempre o risco acrescido de se desvirtuar a própria mensagem.
E eu sem saber qual a causa do Trump estar tão bem posicionado nas presidenciais…
Vou meter a colherada: achar que as meninas devem gostar de princesas em caixas cor de rosa e o os meninos de super heróis em caixas azuis é que é uniformizar – é julgar as pessoas, não como seres humanos que é o que são em primeiro lugar mas por um mero órgão que tem entre as pernas. Eu peço um happy meal com um brinquedo porque que tenho filhos, mas a partir do momento em que tenho de escolher se quero para menina ou menino estou a ser pressionada para aderir a um estereótipo – e o reino dos brinquedos está cheios deles, muitos francamente nocivos basta olhar para as prateleiras das secções infantis. A decisão do Mac (que não é única) parece-me um avanço: ninguém deve ser pressionado para aderir uma ideia de “género” e que se baseia muitas vezes em ideias terríveis sobre o que devem ser homens e mulheres. Também não concordo que a igualdade traga uniformidade: acho que é precisamente o contrario.
Eu não gosto muito de auto-citação, pois parece-me um exercício um tanto pedante, mas sobre este assunto já escrevi antes em sede própria:
‘Acho um bocado pateta que o McDonald’s tenha optado por fazer questionários diferentes para raparigas e rapazes. Não percebo qual seria o mal de perguntarem também aos rapazes se consideram “cozinhar” um dos seus talentos, e também às raparigas se “trabalhar de equipa” o é. De igual forma, acho um bocado pateta que tenham criado menus “rapaz” e “rapariga” quando basta haver o “Happy Meal”.’
Isto deixa clara a minha posição sobre uma hipotética obrigação de meninos e meninas terem de gostar de algo como um bilhete de identidade para serem meninos ou meninas? Espero que sim.
Significa isto que acho as raparigas e os rapazes, enquanto grupo, indistintos? Não necessariamente. Eu coloco sempre um ponto em cima da mesa: embora muitos pareçam ter esquecido isto – nós somos animais. Não somos apenas construções psicológicas e abstractas – também temos uma importante componente biológica. E comparando as curvas de Gauss da população feminina e da população masculina, vejo biologias suficientemente distintas para poder usar o termo “diferente”. Diferente – não melhor ou pior. É isso o que está naquela frase: rapazes e raparigas, ou homens e mulheres, devem ter as mesmas oportunidades não por serem a mesma coisa – mas independentemente de não serem a mesma coisa.
Não vejo o que a biologia tem que ver com isto…Quando ando pelo corredor dos brinquedos de um supermercado vejo estereótipos que continuam a ser transmitidos e apoiados e que se baseiam na existência de apenas um órgão. Um pénis é um igual a uma vagina? Não. Teres um ou outro define-te como pessoa? Também não. Tudo isto é na verdade muito simples. O que a última frase tem que ver com o brinquedos do Mac?