Cyriak

Cyriak Harris é um artista gráfico inglês. O estilo visual dos seus trabalhos, e o seu humor surreal e iconoclasta, evocam muito da herança monty-pythoniana:

Vários dos seus vídeos começam com ideias simples. Peluches, cordeiros, vacas e gatos são temas recorrentes. A partir desse mote, Cyriak dá rédea solta à sua criatividade para produzir um crescendo de delírio visual:

 

 

 

O seu canal do Youtube pode ser acedido aqui.

The Last Days of Disco #3

Eu sei que tenho um longo historial de críticas à era Disco, e mantenho-as. Mas também mantenho que não há uma única época musical em que a mediocridade/piroseira não convivam com a genialidade. O New Wave deu-nos Adam And The Ants – mas também nos deu Souvenir dos OMD. O Disco deu-nos, nem sei, tanta coisa horrenda – mas também nos deu Heart Of Glass dos Blondie:

The Last Days of Disco #2

Mas eu só gostava que alguém me explicasse isto: que absoluto mentecapto contrata a sra. Beckinsale para um filme e a põe a falar à americana? Que enormíssimo idiota. Deixem a sra. Kate falar com o seu sotaque, aquele delicioso sotaque que lhe parece deslizar dos lábios e me aquece, enquanto imagino devassidões para as quais estou certo ainda não terem sido inventadas palavras.

The Last Days of Disco [1998]

É uma daquelas coincidências perfeitamente inócuas mas às quais eu acho piada. Num episódio de House, em que este ia ter um encontro com a Cameron e toda a gente lhe dava conselhos mais ou menos sinceros (e como os conselhos bem intencionados tendem a conduzir ao desastre!), ele diz ao Wilson (Robert Sean Leonard) para não o chatear mais pois já tinha tido outros encontros antes. Wilson respondeu-lhe que “Not ever since Disco died”. E eis aqui Robert Sean Leonard, n’Os Últimos Dias Do Disco, a presenciar a sua morte.

 

 

Há um artifício que é usado com alguma regularidade na ficção: fazer coincidir um episódio marcante na vida das personagens com um ponto de viragem na História. Quando não é feito com talento e/ou subtileza, fica-me sempre a impressão de uma metáfora demasiado óbvia e forçada. Sou, no entanto, mais benevolente quando o contexto de fundo é a música. Talvez seja porque a música, e em particular o fenómeno pop, tende a marcar a sua época sendo, ao mesmo tempo, resultado dela.

 

Acho simpática esta ideia de os personagens estarem a entrar na vida adulta, deixando para trás a despreocupação da juventude, enquanto a música que os acompanhou, o Disco com a sua despreocupação hedonista, também se tornava uma outra coisa diferente.

A Morte É Um Acto Solitário

Numa conversa de há um punhado de anos, eu disse não haver desculpa para as asneiras que estavam sendo cometidas. Em não sendo propositadas, elas só poderiam resultar da falta de cultura, pois ou já nos tinham sido contadas pela História, ou já tinham sido antecipadas pelas distopias da Literatura.

Releia-se Fahrenheit 451: Bradbury mostrou-nos, com décadas de avanço, a estultização do entretenimento, o emagrecimento da informação e a nivelação por baixo do ensino – e o tipo de “igualdade” que isso gerava.

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Dizer que Ray Bradbury foi um grande escritor de ficção científica é redutor. Bradbury foi um grande escritor – ponto final.

Raindogs

Olhando para trás, acho incrível como não devo ter lido na imprensa, ou visto na televisão, mais do que um punhado de referências aos Raindogs. É um dos mais injustos eclipses na música pop portuguesa que me ocorre.

 

Conheci estes cavalheiros no defunto Sol Música, canal do qual até se aproveitavam umas seis horas semanais (ou seja, mais seis horas do que o MTV). Um ou dois dias depois, fui à Fnac comprar o Memories Of A Portable DAT.

 

 

É fácil argumentar que se influenciavam bastante nos Tindersticks, e que o vocalista de então (Roland Popp) não seria dotado de uma grande técnica. Quero eu lá saber! Prefiro o calor e aconchego dos Raindogs, e os ocasionais desafinos de Roland, a qualquer uma das entediantes, enfileiradinhas e presunçosas criações dos Delfins.