Lost in translation

Quando digo haver nela um certo je ne sais quoi, não pretendo – de todo! – dizer que havia nela um certo não sei quê.

6 comentários em “Lost in translation”

  1. Desculpe, mas diz, sim! E nesse “Não sei quê”, não há nada de negativo muito menos de pejorativo.
    Eu digo isso muitas vezes quando não consigo definir algo que me atrai em alguém e não sei explicar o porquê. Ex: fulano ou sicrana, não é nada bonito/a nem sequer muito simpático, mas tem um «não sei quê» que inspira simpatia.

    Estou certa ou estou errada?

    1. É uma opinião, e as opiniões são sempre aceitáveis. É, claro, uma opinião errada, até porque quem manda aqui sou eu. 🙂

      Agora a sério, não concordo. “Não sei quê” pode não ser pejorativa por si mesma, mas está demasiado associada à negativa ou à displicência. Se me queixo da Inspecção Periódica me ter chumbado o chaço, digo que “os gajos embirraram com os pneus, e um farol, e mais não sei quê“. Usar a mesma expressão para qualificar o indefinível de alguém – parece-me errado. Soa-me errado.

      O que não significa que eu considere a expressão francesa intraduzível. Já não me chocaria tanto dizer “ela possuía um certo não sei o quê“. A introdução daquele artigo definido suaviza a dicção e sugere-me, pelo menos, um cuidado adicional no frasear que me parece inexistir no brusco “não sei quê”. Mas, se é para traduzir mesmo, talvez eu prefira uma tradução mais livre: “Ela possuía um certo algo“, por exemplo.

  2. O título do post diz tudo.
    É uma expressão idiomática – digo eu – e como acontece em quase todas elas, perde-se sempre um ‘je ne sais quoi’ na tradução 🙂 Por isso mesmo, também prefiro a expressão francesa.

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