“Estamos programados para isto. Desde a infância, os contos mais interessantes [e] com um fundo moral relevante fazem-nos torcer pelos mais pequenos e pelos mais fracos. E, contudo, o nosso instinto natural é o de troçar, minimizar e fazer graçolas sobre tudo o que é pequeno, seja um cão, seja um país, seja o Marques Mendes, seja… um automóvel.”
Hugo Reis, Ensaio ao Fiat Cinquecento Sport, Topos & Clássicos de Maio/2020
Olhem que isto só visto!! Que raio de publicidade é esta que para promover um carro precisa de minimizar pessoas? …
Será que o Marques Mendes teve comparticipação nas vendas?
Só assim se compreende tal afronta. Compreende, é uma forma de falar.
Enfim…
Desta vez os Bilhetes demoraram a achegar à bilheteira.
Espero que a ausência tenha sido preguiça ou excesso de trabalho…
Boa semana. 🙂
(Um ensaio a um produto não é um texto de promoção publicitária do mesmo. Ou, pelo menos, não o deve ser – e este, em se tratando de um ensaio a um automóvel lançado há quase trinta anos e há muito descontinuado pelo fabricante, acredito bem que o não é.)
Agora: invocando para mim o papel de advogado do diabo, realço que o autor daquelas linhas não insinuou que “o Marques Mendes deve precisar de tacões para chegar aos pedais do carro” – limitou-se a constatar que o Marques Mendes, pela sua… hum… escala, atrai com frequência chistes facetos. 🙂
Convenhamos que esta referência razoavelmente bem-humorada (na minha opinião, mas é sabido como as opiniões pessoais tendem a ser pessoalíssimas em se tratando de humor) à… hum… dimensão de Marques Mendes, nem foi nada que se compare aos enxovalhos diários que ele recebia, e pela mesma sua especificidade, no defunto programa Contra-Informação. Ou, recuando ainda mais na memória, a pichagens feitas nas décadas de 80 e 90 em paredes algarvias a propósito do então político Carlos Pimenta, conhecido em alguns grupos populares como o “Pimentinha” (eu era bastante jovem mas recordo-me de ver algumas fotografias num semanário regional).
Pessoalmente, não sinto peninhas de Marques Mendes. Ele tem arcaboiço, historial e intervenção suficientes para poder aguentar umas piadolas – e também já mostrou várias vezes ter inteligência política suficiente para as aceitar.
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(Preguiça, tédio, dias que se tornaram uma mescla incaracterística e resistem a tentativas – muitas vezes pouco convictas, assumo-o – de planos, etc…)
Boa semana.