Propagandas de frases que nada dizem

“Palavra que me aconteceu: olhando um desses autedores que enxameiam algumas das nossas vias de comunicação (estou ou não em condições de elaborar um relatório policial?), dei por mim a pensar o que ofereciam politicamente à sua autarquia um par de jarras que sorria para a câmara enquanto em legenda se podia ler que estavam “juntos por si”.

Uma fracção de segundos depois é que reparei que não era de política que se tratava, mas sim de imobiliário. Os dois sorridentes da foto (até o imobiliário se encontra rendido às maravilhas do trabalho em equipa), aparentemente não me estavam a querer convencer a votar numa qualquer candidatura autárquica, mas sim só me queriam ajudar a comprar um apartamento. Enquanto duvidava da minha acuidade visual (ao longe), pensei que o busílis da confusão se encontrava menos na semelhança entre as duas actividades (autarca e agente imobiliário) do que no esgotamento de frases que queiram transmitir mais do que nada.”

Fernando Proença, Jornal do Algarve (12/09/2021)

Lido por aí

“Estamos programados para isto. Desde a infância, os contos mais interessantes [e] com um fundo moral relevante fazem-nos torcer pelos mais pequenos e pelos mais fracos. E, contudo, o nosso instinto natural é o de troçar, minimizar e fazer graçolas sobre tudo o que é pequeno, seja um cão, seja um país, seja o Marques Mendes, seja… um automóvel.”

Hugo Reis, Ensaio ao Fiat Cinquecento Sport, Topos & Clássicos de Maio/2020