Pequena reflexão sobre a estética

Desçamos um pouco o nível deste blogue.

Se o meu grupo de relacionamentos sociais é uma amostra representativa, eu devo fazer parte dos 0,5% de homens heterossexuais a quem Joana Amaral Dias nunca despertou sentimentos libidinosos nem inspirou pesquisas desenfreadas nos bancos de imagens do Google ou Bing. A senhora parece bonita em fotografias (não estou a incluir estas últimas de gosto questionável)? Concordo. Contudo, há pessoas que são muito mais beneficiadas pela bidimensionalidade da fotografia (preparada profissionalmente) do que pela realidade da carne – e já me cruzei suficientes vezes com Joana Amaral Dias para a incluir neste grupo.

E depois desta interrupção, a emissão voltará à normalidade dentro de momentos. Ou horas, ou dias, logo se verá.

Wes Craven (1939 – 2015)

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Por tentar fugir de uma política que anda tão mal frequentada, tenho-me escondido de jornais, televisões, rádios, fóruns e o que mais existe. Como dizia um meu professor, se se ganha por um lado, o mais provável é que se perca noutro. Soube há pouco, graças a uma conversa ouvida no cacilheiro, que Wes Craven morreu há duas semanas.

Wes Craven é, para muitos, um dos grandes realizadores do cinema de Terror. Eu acho estas etiquetas sempre redutoras: ele foi, sim, um grande realizador que se manifestou, em grande parte da carreira, através do Terror. Mas mais do que isso, talvez até mais importante para aqueles que tiveram o prazer de o ouvir, conhecer e trabalhar com ele, Wes Craven também foi uma excelente pessoa, cordial, educado e com genuína humildade.

As mulheres segundo Paul Pavilly

(…) Como estava decidido a não ir sozinho a Itália, propus-me viajar em companhia do meu amigo Paul Pavilly.

Já conhecem o Paul, para quem o mundo e a vida se reduzem a uma coisa: a mulher. Há muitos homens assim. A sua existência poetiza-se, ilumina-se com as mulheres. O mundo só é tolerável porque existem nele mulheres, o Sol brilha apenas para as iluminar e valorizar, e o ar respira-se com prazer porque lhes afagou as faces e lhes roçou pelas cabeleiras.

(Guy de Maupassant, “As Irmãs Rondoli”)

Ironia? Agoiro?

Ontem, o Sporting foi eliminado da Liga dos Campeões pelo CSKA, perdendo 3-1 depois de chegar ao intervalo a vencer por 0-1. Quando estava a fazer zapping no final da noite, reparei que a SIC-Notícias convidou José Peseiro para comentar o jogo. José Peseiro foi o treinador do Sporting que, em 2005 (via Wikipedia), perdeu na final da Taça UEFA com o CSKA, perdendo 3-1 depois de chegar ao intervalo a vencer por 0-1.

 

A “arca” de Agatha Christie

Julius Green, produtor de teatro ligado a múltiplas encenações de obras de Agatha Christie, encontrou 10 peças inéditas nos arquivos da escritora. Pelo sim pelo não, espero que essas obras NÃO sejam editadas com fanfarra comercial. Por ocorrências semelhantes com outros autores, cheguei à conclusão de que se um autor esqueceu uma obra no seu arquivo, é porque tinha razões para tal.

A verdade da mentira

 

Confesso nunca ter compreendido o relativo desinteresse a que é votado True Lies, mesmo entre os fiéis de Cameron e Schwarzenegger. Há um par de dias, cortesia de um conhecido que me emprestou o DVD, revi-o e reforcei a minha opinião: tecnicamente competente (como é habitual em Cameron); genuinamente divertido (como não é, de todo, habitual em Cameron); actores em grande forma (Schwarzenegger está descontraído, Bill Paxton é soberbo como um Casanova de pacotilha e até Tom Arnold faz boa figura); e está repleto de pormenores que, se não foram improvisados, foram muito bem pensados.

 

A única explicação que encontro é: os nerds. Estes são tão obcecados com a ficção científica e a tecnologia que James Cameron lhes serve copiosamente, quer na forma quer no conteúdo, que se desinteressam de um filme que não contenha robots, naves espaciais, navios CGI ou gatos azuis.