Uma senhora no barco do Seixal queixa-se de os bancos serem mais desconfortáveis que nos barcos para o Barreiro. É verdade que vamos com mais conforto para o Barreiro. Mas também é verdade que tem de haver alguma compensação – por irmos para o Barreiro…
Autor: João Sousa
Roddy Piper (1954-2015)
Soube há pouco, mais de uma semana depois de suceder, que Roddy Piper morreu. Desconheço a sua obra no Wrestling e, da carreira de actor, só o vi no carpenteriano They Live. Contudo, bastou este filme, e em particular o excerto que se segue, para merecer a minha estima incondicional.
Retratos do optimista [2]
Optimismo, n. A doutrina ou crença segundo a qual tudo é belo, incluindo o que é feio; tudo é bom, especialmente o que é mau; e tudo o que está mal está bem. É defendida com maior tenacidade entre aqueles que estão mais habituados aos infortúnios da adversidade, e a forma mais aceitável de a revelar é com um esgar a imitar um sorriso. Sendo uma crença cega, não é sensível à luz da refutação – uma doença intelectual, cuja única forma de tratamento é a morte. É hereditária, mas felizmente não é contagiosa.
(Ambrose Bierce, “O Dicionário do Diabo”)
Retratos do optimista [1]
(…) É assim que sucede sempre às almas bondosas; vêem tudo com as cores mais sedutoras, não esperam de ninguém o mal, mas só o bem. E quando verificam terem-se enganado, não querem reconhecê-lo, teimam em não ver a verdade, até que sofram as consequências da sua ingenuidade.
(Fiódor Dostoiévski, “Crime e Castigo”)
Afinal…
É sempre com um gosto de cinismo que vejo aquilo que era verdade absoluta num dia passar a falso no seguinte – e comummente precedido por um “afinal”.
Isso não temos…
Serei eu a única pessoa neste mundo que prefere beber Pepsi a Coca-Cola?
…
– Acho que precisa de um bom advogado.
– Isso é um paradoxo – escarneceu. – Se fosse bom, não seria advogado.
(Raymond Chandler, “O Bode Expiatório”)
Crime e Castigo
“Crime e Castigo” é, como título, um pouco enganador: embora o livro comece com o Crime, aquilo que se segue não é o Castigo mas a Culpa. A não ser, claro, que assumamos a culpa sentida pelo personagem como um castigo – o reconhecimento por si da falência das suas próprias ambições.
Pessimismo [6]
Não gosto nada que me dêem razão. Sempre que me dão razão, é porque antecipei correctamente um cenário negativo. Um pessimista como eu quer sobretudo não ter razão.
[Pedro Mexia, Fora do Mundo e Prova de Vida]
À atenção de Stephenie Meyer e Anne Rice
[Vampires de John Carpenter]