Bond, James Bond

Há anos, o mais frequente era ouvir-se dizer: “Sean Connery é o verdadeiro James Bond”. Hoje, já ouço que não, que Daniel Craig é o melhor Bond. Ora a minha opinião é esta: concedo que Craig possa ser um melhor Bond do que Connery, mas também é verdade que o Bond que foi posto à disposição de Craig é muito melhor do que aquele com que Connery teve de trabalhar.

Christopher Lee (1922-2015)

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Entre variadíssimos outros personagens, Christopher Lee foi vilão de Bond (a única coisa interessante em The Man With The Golden Gun), Dracula, e percorreu o cânone de Sherlock Holmes como o próprio Sherlock, o seu irmão Mycroft e Sir Henry Baskerville. Curiosamente, não interpretou o personagem que lhe assentaria como uma luva: Professor James Moriarty.

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É uma coincidência quase mórbida que Christopher Lee e Patrick Macnee, ambos nascidos em 1922, colegas de escola e que partilharam o ecrã como Holmes e Watson, tenham falecido no espaço de dias.

Patrick Macnee (1922-2015)

500full.jpgPatrick Macnee como John Steed (e muito bem acompanhado)

John Steed talvez fique na Memória como o padrão quase caricatural do gentleman inglês. Eu gostaria também de acrescentar que foi dos primeiros personagens masculinos a partilhar o ecrã com parceiras que, sendo inegavelmente femininas, não lhe eram inferiores em independência, coragem e inteligência.

Puro veneno anti-crime

Às vezes, é evidente que quem escreve as descrições dos filmes se diverte a fazê-lo.

No portal da Zon, a apresentação de Cobra (um filme tão niilista e com uma narrativa tão cheia dos clichés mais básicos –  que assumo ser um dos meus guilty-pleasures) começa assim:

O tenente Marion Cobretti é uma força de assalto humana cujas armas cospem puro veneno anti-crime.

Não é tão fácil imaginar um qualquer funcionário da Zon a rir à gargalhada enquanto escrevia esta preciosidade?

The Last Days of Disco #2

Mas eu só gostava que alguém me explicasse isto: que absoluto mentecapto contrata a sra. Beckinsale para um filme e a põe a falar à americana? Que enormíssimo idiota. Deixem a sra. Kate falar com o seu sotaque, aquele delicioso sotaque que lhe parece deslizar dos lábios e me aquece, enquanto imagino devassidões para as quais estou certo ainda não terem sido inventadas palavras.

The Last Days of Disco [1998]

É uma daquelas coincidências perfeitamente inócuas mas às quais eu acho piada. Num episódio de House, em que este ia ter um encontro com a Cameron e toda a gente lhe dava conselhos mais ou menos sinceros (e como os conselhos bem intencionados tendem a conduzir ao desastre!), ele diz ao Wilson (Robert Sean Leonard) para não o chatear mais pois já tinha tido outros encontros antes. Wilson respondeu-lhe que “Not ever since Disco died”. E eis aqui Robert Sean Leonard, n’Os Últimos Dias Do Disco, a presenciar a sua morte.

 

 

Há um artifício que é usado com alguma regularidade na ficção: fazer coincidir um episódio marcante na vida das personagens com um ponto de viragem na História. Quando não é feito com talento e/ou subtileza, fica-me sempre a impressão de uma metáfora demasiado óbvia e forçada. Sou, no entanto, mais benevolente quando o contexto de fundo é a música. Talvez seja porque a música, e em particular o fenómeno pop, tende a marcar a sua época sendo, ao mesmo tempo, resultado dela.

 

Acho simpática esta ideia de os personagens estarem a entrar na vida adulta, deixando para trás a despreocupação da juventude, enquanto a música que os acompanhou, o Disco com a sua despreocupação hedonista, também se tornava uma outra coisa diferente.