Categoria: Uncategorized
À espera
As trevas estão por aí, escondidas,
À espera que eu apague a luz
Para se lançarem sobre mim.
Adolfo Luxúria Canibal, Maria, Oh Maria (Corações Felpudos, 1990)
Pensamento de há um mês
Quem tem como única ferramenta um martelo tende a olhar para tudo como se fosse um prego.
(Publicado originalmente no Delito de Opinião)
Semiótica
Qual é o objectivo de um dicionário? Simplesmente descrever o significado de uma palavra com correcção e economia científicas? Ou fazê-lo também com a intenção de acessibilidade a um consulente menos esclarecido – e não o deixar mais confuso com a definição do que com a palavra original?
Imaginemos que o sr. Santos, cantoneiro na Câmara Municipal de Lisboa e seguidor fiel das emissões do Governo Sombra, pretende saber o significado de uma palavra amiudadamente dita pelos comentadores: “semiótica”. Chega a casa, liga o portátil, consulta o Dicionário Online da Priberam e depara-se com esta talhada de prosa tão exacta quanto hermética:
Tolerante
“Corso ia tomando notas. Exigente, despreocupado e letal como uma mamba negra, defini-lo-ia assim mais tarde um dos seus conhecidos quando o seu nome veio à baila. Tinha uma forma singular de se posicionar em relação às outras pessoas, de olhar através dos óculos torcidos e de concordar lentamente, com uma certa falta de convicção razoável e bem-intencionada, como uma rameira a ouvir, tolerante, um soneto sobre Cupido.”
Arturo Pérez-Reverte, O Clube Dumas
Não há bem que sempre dure…
Algo destes primeiros meses de Covid que me vai deixar saudades: não houve futebol.
Há males que vêm por bem [2]
Nunca antes me despachei tão depressa no Lidl.
Há males que vêm por bem
Descobri agora mesmo, embora já com uma semana de atraso, que o Festival da Eurovisão foi cancelado por causa do Covid-19.
O açambarcamento começou
Quem visse as filas de agora no supermercado do El Corte Inglés e ouvisse os queixumes dos carrinhos de compras esmagados sob pilhas de carnes e peixes e conservas e garrafões de água, pensaria estarmos na véspera de Natal.
Um momento de repouso antes da tempestade
É suposto eu voltar para casa. As travessias para o Seixal estão suspensas. O comboio da ponte sai quase cheio da primeira estação e a partir daí geram-se motins para entrar. Acabei agora de jantar nas Picoas, a fazer tempo para que a confusão se vá escoando e a pensar como isto é agradável fora do expediente. Faço contas às horas que vou conseguir dormir até acordar amanhã às seis. E é neste preciso momento de punhos fechados e maxilares contraídos que a MEO decide enviar-me um email de Boas Festas. Que péssimo sentido de oportunidade…
