Semiótica

Qual é o objectivo de um dicionário? Simplesmente descrever o significado de uma palavra com correcção e economia científicas? Ou fazê-lo também com a intenção de acessibilidade a um consulente menos esclarecido – e não o deixar mais confuso com a definição do que com a palavra original?

Imaginemos que o sr. Santos, cantoneiro na Câmara Municipal de Lisboa e seguidor fiel das emissões do Governo Sombra, pretende saber o significado de uma palavra amiudadamente dita pelos comentadores: “semiótica”. Chega a casa, liga o portátil, consulta o Dicionário Online da Priberam e depara-se com esta talhada de prosa tão exacta quanto hermética:

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Tolerante

“Corso ia tomando notas. Exigente, despreocupado e letal como uma mamba negra, defini-lo-ia assim mais tarde um dos seus conhecidos quando o seu nome veio à baila. Tinha uma forma singular de se posicionar em relação às outras pessoas, de olhar através dos óculos torcidos e de concordar lentamente, com uma certa falta de convicção razoável e bem-intencionada, como uma rameira a ouvir, tolerante, um soneto sobre Cupido.”

Arturo Pérez-Reverte, O Clube Dumas

Um momento de repouso antes da tempestade

É suposto eu voltar para casa. As travessias para o Seixal estão suspensas. O comboio da ponte sai quase cheio da primeira estação e a partir daí geram-se motins para entrar. Acabei agora de jantar nas Picoas, a fazer tempo para que a confusão se vá escoando e a pensar como isto é agradável fora do expediente. Faço contas às horas que vou conseguir dormir até acordar amanhã às seis. E é neste preciso momento de punhos fechados e maxilares contraídos que a MEO decide enviar-me um email de Boas Festas. Que péssimo sentido de oportunidade…