Conjunção

Recebo, perto das 23:30, um SMS de P. (quando P. me envia mensagens depois das oito da noite, é garantido não ser coisa boa):

“Aproveita! O teu horóscopo diz que a conjunção da Lua com Plutão favorece-te os relacionamentos amorosos!”

Descubro, assim, que a minha vida amorosa está dependente dos favores de um satélite mentiroso e de um minúsculo planetóide desterrado nos confins gelados do sistema solar e tão incompetente, na sua pequenez, que até foi despromovido recentemente. Isto explica muita coisa.

Os três éfes

Não consigo deixar de ver uma certa ironia na forma como, durante três dias, um país que tenta há anos afastar-se do lema auto-infligido “Fado, Fátima e Futebol” tão prontamente se negou três vezes – paralisando por essas mesmas razões.

(Sim, eu sei que a canção do simpático Salvador não é exactamente fado – mas também não está assim tão longe disso)

Caro Gmail

Caro Gmail

Se eu te incumbi, no dia 13, de entregares um texto ao Sapo para ser publicado nesse dia – não foi, seguramente, para o esqueceres na bagageira do carro durante duas semanas e o entregares hoje – e a dobrar! Percebes? Não creio que fosse um trabalho assim tão complicado. Bastava teres ido ao edifício onde está a server farm do Sapo, apresentares na recepção o envelope que te dei com o meu texto e dizeres para o entregarem no departamento post.blogs.sapo.pt. O Hotmail (sim, o Hotmail, aquele puto gorducho com o qual tu e os teus amigos gozam com arzinho superior e ao qual chamam meio lerdo) já me fez várias entregas semelhantes sem qualquer dificuldade. Tu devias ter feito o mesmo.

Cumprimentos frios e puramente institucionais
João Sousa

(PS: este texto foi igualmente enviado pelo Hotmail e, dado que o estás a ler, vês como o puto “meio lerdo” se desenrascou de novo)

A teoria sobre o casamento

Gareth: I’ve got a new theory about marriage. Two people are in love, they live together, and then suddenly one day, they run out of conversation.

Charles: Uh-huh.

Gareth: Totally. I mean they can’t think of a single thing to say to each other. That’s it: panic! Then suddenly it occurs to the chap that there is a way out of the deadlock.

Matthew: Which is?

Gareth: He’ll ask her to marry him.

Charles: Brilliant! Brilliant!

Gareth: Suddenly they’ve got something to talk about for the rest of their lives.

Charles: Basically you’re saying marriage is just a way of getting out of an embarrassing pause in conversation.

Gareth: The definitive icebreaker.

(in Quatro Casamentos e Um Funeral)

Lisboa, 14:43

Chego meia-hora adiantado ao cemitério onde vou assistir a um funeral. Para fazer algum tempo, aguardo um pouco no jardim que fica do outro lado da rua. Uns metros à minha frente, um casal sentado na relva beija-se abraçado. A morte de um lado, a vida do outro e uma estrada pelo meio. É capaz de haver uma metáfora escondida nisto.