Este ano, morreram mais pessoas em consequência de selfies do que por ataques de tubarões.
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Pequena reflexão sobre a estética
Desçamos um pouco o nível deste blogue.
Se o meu grupo de relacionamentos sociais é uma amostra representativa, eu devo fazer parte dos 0,5% de homens heterossexuais a quem Joana Amaral Dias nunca despertou sentimentos libidinosos nem inspirou pesquisas desenfreadas nos bancos de imagens do Google ou Bing. A senhora parece bonita em fotografias (não estou a incluir estas últimas de gosto questionável)? Concordo. Contudo, há pessoas que são muito mais beneficiadas pela bidimensionalidade da fotografia (preparada profissionalmente) do que pela realidade da carne – e já me cruzei suficientes vezes com Joana Amaral Dias para a incluir neste grupo.
E depois desta interrupção, a emissão voltará à normalidade dentro de momentos. Ou horas, ou dias, logo se verá.
Por hábito, imagino
Por que diabo continuamos a chamar cacilheiro aos barcos que atravessam o Tejo – mesmo quando não passam nem perto de Cacilhas?
Ironia? Agoiro?
Ontem, o Sporting foi eliminado da Liga dos Campeões pelo CSKA, perdendo 3-1 depois de chegar ao intervalo a vencer por 0-1. Quando estava a fazer zapping no final da noite, reparei que a SIC-Notícias convidou José Peseiro para comentar o jogo. José Peseiro foi o treinador do Sporting que, em 2005 (via Wikipedia), perdeu na final da Taça UEFA com o CSKA, perdendo 3-1 depois de chegar ao intervalo a vencer por 0-1.
Ser ou estar
“Não sei. É como descrever a cor a um cego. Ele não pode perceber.”
(in “Irrealidades Virtuais” de Alfred Bester)
Imaginei o oposto: “Não sei. É como descrever ser cego a quem vê. Ele não pode perceber”. Quem vê pode saber o que é estar cego – basta fechar os olhos. Mas quem vê, se o fizer, sabe também que lhe bastará abrir os olhos para regressar ao mundo tal como o conhece. E isso não o fará perceber o que é ser cego.
Vénus vs. Vénus
Olhemos bem para Vénus: tem uma atmosfera composta por 96% de dióxido de carbono e tão densa que, à superfície, a pressão é 92 vezes maior do que na Terra; está completamente oculto por um espesso manto de nuvens de ácido sulfúrico; o efeito de estufa é tão intenso que a temperatura mínima na superfície ronda os 460º C.
Dificilmente se conseguiria imaginar local mais hostil. Parece-me, por isso, quase premonitório que os Antigos, sem saberem tais factos, tenham dado a este planeta capaz de asfixiar, esmagar, corroer e assar um homem – o nome da deusa do amor.
Momento zen a 36 graus
Parque Eduardo VII, sentado à sombra a ler contos de Stevenson. Seria perfeito – não estivesse o maldito mosquedo particularmente irritante.
The Little Fête
I take a bottle of wine and I go drink it among the flowers.
We are always three – counting my shadow and my friend the shimmering moon.
Happily the moon knows nothing of drinking, and my shadow is never thirsty.
When I sing, the moon listens to me in silence. When I dance, my shadow dances too.
After all festivities the guests must depart; this sadness I do not know.
When I go home, the moon goes with me and my shadow follows me.
(Li-Po, séc. VIII – tradução J. C. Cooper)
Tempus fugit
[de Blade Runner]
Recordo-me de pensar no (então ainda longe) ano 2000 como um futuro remoto, um ano com três zeros a orná-lo de um misticismo muito próprio. Agora? Agora reparo que, quase sem dar por isso, já vamos a meio da segunda década do século XXI.
Ouvido por aí
“Eu agora, para poupar combustível, conduzo muito devagarinho: não passo dos 160.”