“Embarque na mudança”, dizem eles

Sala de embarque da Transtejo no Seixal: o barco das 10:05 chegou à hora a que devia sair – e temos de esperar mais quinze a vinte minutos para que Sua Excelência carregue as baterias. Mas talvez me deva dar por satisfeito: se fosse em hora de ponta, o mais certo era a carreira ter sido suprimida – pois nem os barcos eléctricos parecem ter capacidade para cumprir os horários estipulados, nem parece haver suficientes barcos antigos a funcionar para compensar as falhas dos eléctricos.

Este negócio dos barcos eléctricos, em particular, e o estado da Transtejo no geral, deviam ser alvo de investigação (pelo menos) jornalística. 

São Valentim

Enviei-lhe uma mensagem no Ano Novo, como também o faço no Natal e no seu aniversário. Respondeu-me, como sempre faz quando lhe envio uma mensagem. Contudo, naquela vez acrescentou um “Obrigada por te lembrares sempre de mim”. Não lhe disse nada (não lhe dizer é algo que eu sempre soube fazer muito bem), mas senti desmerecer aquele “Obrigada por te lembrares sempre de mim”. Não gosto de aceitar agradecimentos pelo que não é mérito meu: tenho tanto poder sobre o lembrar-me sempre dela como o que tenho sobre o Sol nascer todos os dias.

Um Livro de Areia

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Há semanas, um alfarrabista juntou ao seu catálogo este livro: 307 páginas, lê-se na descrição técnica. Pouco mais de trezentas páginas, pelos vistos, bastaram para Hans Hass escrever um tratado científico sobre os mistérios do comportamento do homem. Já se ele tentasse o mesmo para a mulher, “Mulher: os mistérios do seu comportamento”, só o conseguiria com uma espécie de livro de areia borgesiano: um enigma com páginas infinitas, onde nenhuma é a primeira e nenhuma é a última, e nunca se consegue encontrar duas vezes a mesma página.