Funcionário do mês

Cada vez mais estou convencido de que o melhor funcionário do Metropolitano de Lisboa é aquela senhora que de manhã à noite, faça chuva ou faça sol, está ao microfone a dizer que “A linha (Vermelha/Azul/Verde/Amarela) está com perturbações de circulação.”

Funcionário do mês? Funcionário do ano! – e com direito a horas extraordinárias e prémio de assiduidade.

Tradições

Dia dos Namorados, Black Friday, Halloween… estamos, graças ao comércio, a incorporar tradições que não nos pertenciam e a perder aquelas que existiam. No São Pedro, a charanga que passa aqui no bairro já só tem uma meia-dúzia de maduros com canas e uns metais a fazer barulho – um destes anos será apenas um com um iPod e umas colunas. No Santo António já não há miúdos a pedir “um tostãozinho” – mas no passado Halloween andava um punhado deles mascarados a fazer um “trick or treat” à portuguesa.

Na verdade, quase tive pena dos miúdos. Sabe lá a maior parte das gentes aqui do bairro o que é o Halloween, quanto mais o que os infantes pretendiam com aquilo.

Estes tipos são castiços

Isto começa a parecer uma má-vontade minha para com a Vodafone, mas garanto não se tratar de tal. Recebi às 17:11 de hoje  – 27/11/2015 – o seguinte SMS da Vodafone:

vodafone_horas.png

Faz-me recordar as (múltiplas) vezes em que a Vodafone me telefona para marcar uma deslocação da equipa de suporte – por causa de um problema que já estava resolvido desde o dia anterior.

O novo blockbuster

Reparei há pouco, ao passar por uma Fnac, que José Rodrigues dos Santos perpetrou um novo livro. Recordo-me de ele, há um par de anos, dizer a seguinte pérola:

“Ler um romance meu é como estar a ver uma grande produção de Hollywood.”

Concordo por inteiro. Tanto o livro de Rodrigues dos Santos como o blockbuster hollywoodesco fazem-se anunciar por maciças campanhas publicitárias; depois revelam-se longos, cansativos, barulhentos, histéricos, pouco credíveis; no fim, deixam ambos a sensação de tempo e dinheiro desperdiçados.

…

Neste mundo, ninguém pensa em nada.  Todos se ocupam dos seus negócios, da sua fortuna, dos seus prazeres, da sua vida, enfim, ou de pequenas futilidades divertidas como o teatro, a pintura, a música ou a política, a mais vasta das bagatelas, ou de assuntos industriais. Mas quem é que pensa?

 

(Guy de Maupassant, “O Homem De Marte”)