Aim – The Girl Who Fell Through The Ice
Dúvidas
Ouço com frequência, vindos do prédio em frente, os berros de um maldito fedel… quero dizer, os trinados de uma adorável criancinha. Fico sempre na dúvida se aquilo é birra – ou possessão…
Propagandas de frases que nada dizem
“Palavra que me aconteceu: olhando um desses autedores que enxameiam algumas das nossas vias de comunicação (estou ou não em condições de elaborar um relatório policial?), dei por mim a pensar o que ofereciam politicamente à sua autarquia um par de jarras que sorria para a câmara enquanto em legenda se podia ler que estavam “juntos por si”.
Uma fracção de segundos depois é que reparei que não era de política que se tratava, mas sim de imobiliário. Os dois sorridentes da foto (até o imobiliário se encontra rendido às maravilhas do trabalho em equipa), aparentemente não me estavam a querer convencer a votar numa qualquer candidatura autárquica, mas sim só me queriam ajudar a comprar um apartamento. Enquanto duvidava da minha acuidade visual (ao longe), pensei que o busílis da confusão se encontrava menos na semelhança entre as duas actividades (autarca e agente imobiliário) do que no esgotamento de frases que queiram transmitir mais do que nada.”
Jean-Paul Belmondo (1933-2021)
Abafada pelo burburinho noticioso, passou-me despercebida a morte, na segunda-feira, de Jean-Paul Belmondo, um ícone cool francês. Foi pugilista amador; quis ser palhaço; viveu com Ursula Andress (que nunca o esqueceu); foi um dos rostos da Nouvelle Vague; representou para vários dos grandes realizadores do cinema europeu; e mostrou-se tão confortável nos palcos de teatro como aos saltos e piruetas num carro.
Viveu uma vida bem vivida.
All right, Mr. DeMille, I’m ready for my close-up
More Fun than Fast
Quem julga o Facebook que é? A minha namorada?
Monty Python Olympics
Der Schwarze Vulkan
Saudemos o 70º aniversário de Michèle Mouton: vencedora em 1975 da classe S2.0 nas 24 Horas de Le Mans; vice-campeã europeia de ralis em 1977; vice-campeã mundial de ralis em 1982 (ficando à frente do seu colega de equipa, “um tal” Hannu Mikkola); vencedora em 1984 da classe Open Rally (e segunda à geral) na sua estreia na mítica Pikes Peak; vencedora no ano seguinte da Pikes Peak com um tempo treze segundos mais rápido do que o recorde anterior; campeã em 1986 do Nacional de Ralis da Alemanha, com a particularidade de ter vencido todas as corridas que terminou.
E tudo isto, veja-se bem o topete, quando ainda nem tinham nascido muitos dos que hoje enchem discursos, editoriais e redes sociais com paridades, quotas, representatividades, hashtags e jargões semelhantes.
(*) “Der Schwarze Vulkan” (o vulcão negro) foi a alcunha que lhe deram na Alemanha devido ao temperamento e longo cabelo preto.
Budapeste
O futebol não me entusiasma particularmente, facto que já proporcionou num passado recente divertido diálogo com uma jovem das sondagens telefónicas. Com a selecção nacional de futebol, mantenho uma relação de distância respeitosa: respeito o talento e a disciplina dos jogadores, prefiro que ganhe (embora nunca entre em euforias pós-vitória nem em depressões pós-derrota), mas muito raramente lhe vejo os jogos. Querem um exemplo? Então aqui vai: entre ver a final do Europeu de 2016 e ver a final de um torneio de snooker no Eurosport, eu optei pelo snooker (de qualquer forma, os ocasionais gritos que saíam aqui da tasca vizinha iam-me deixando a par dos dramas da bola).
Por isto, quando eu vos disser, como vou dizer agora, que a música que aqui coloco é em honra da selecção que se estreia daqui a pouco em Budapeste, não acreditem. A verdade é que qualquer desculpa, por mais mal-enjorcada que seja (e esta sê-lo-ia), é uma boa desculpa para evocar este magnífico clássico da nossa pop. E mesmo quando, por mais tratos que se dêem à imaginação, não ocorre qualquer justificação, não há problema: a verdade, verdadinha, é que não é necessário estar a inventar desculpas para ouvir este Budapeste.
Budapeste de Mão Morta (Mutantes S.21, 1992)




